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IMIGRAÇÃO E COMÉRCIO: SILÊNCIOS SOBRE A MULHER

Lená Medeiros de Menezes
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A partir de afirmações como essa, Perrot nos leva a refletir acerca dos muitos processos que necessitam ser reescritos a partir de um olhar focado no gênero. Dentre estes, os processos e-imigratórios, onde estão presentes, por vezes de forma impactante, muitos dos silêncios de que nos fala a autora. A eles somam-se tantos outros, próprios dos processos de deslocamento e de construção de uma nova vida em terra estrangeira.

Apesar dos silêncios da história, entretanto, bem sabemos que as mulheres foram e são participes em todo e qualquer processo e-imigratório. E o caso brasileiro é excelente exemplo de sua presença, apesar dos fluxos direcionados para o Brasil, especialmente ao longo do oitocentos, terem tido, majoritariamente, a presença masculina, em especial na cidade do Rio de Janeiro, conforme demonstram os censos realizados entre 1 872 e 1 950.

O primeiro censo republicano data de 1 890. Por meio dele sabemos que a população da capital brasileira totalizava 522.651 indivíduos, estando 28,90% constituída por estrangeiros (106.304 homens e 44.789 mulheres) , com uma relação de 2,3 homens para cada mulher.

Em 1 920, quando a população da capital alcançou um total de 1.157,873 indivíduos, 239.129 eram estrangeiros (20,65%) , com os homens continuando a ser "mais numerosos que as mulheres em todos os distritos municipais, urbanos e suburbanos", "correndo, portanto, o desequilíbrio observado na desigualdade numérica dos sexos por conta da população estrangeira". Por outro lado, os imigrantes portugueses, excetuando-se os naturalizados, continuavam dominantes no conjunto total: 1 41 .098 indivíduos (59% do total) , dos
quais 44.908 eram mulheres. Considerado o universo feminil, a maioria estava constituída por mulheres casadas (23.262) , mas havia um total de 7.427 viúvas (31,92%) .