Estudos

IMIGRAÇÃO IDENTIDADE E INTEGRAÇÃO, 1903-1916

Vítor Manoel Marques da Fonseca
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Nas primeiras décadas do século 20, alguns intelectuais, fazendo aquilo que era o seu ofício, ou seja, pensar a realidade e tentar racionalizá-ia, buscavam explicar o grau de desenvolvimento de nossa sociedade em comparação com outras, principalmente a norte-americana, já então hegemónica, afirmando que o brasileiro era caracteristicamente insolidário. Esse era o caso de Alberto Torres, Manoel Bonfim, Nestor Duarte, Sérgio Buarque de Holanda e Oliveira Viana, este último o que mais se dedicou a defender essa tese.

Esse traço d e nosso "caráter" era, do p o nto d e vista histórico, à s vezes até considerado positivo, como por exemplo quando Oliveira Viana o via como uma condição necessária para a o cupação do vasto território que desafiava a colonização portuguesa e que tinha de ser defendido diante da cobiça de outras coroas, mas, decídidamente, à época em que escreviam, constituía, em
seus esquemas mentais, um grande problema para a sociedade brasíleira.

O desejo de confrontar essa afirmação com o estudo de fontes empíricas sobre o associativismo, principalmente com base na existência de um significativo conjunto de registros de associações no fundo documental do 1.º Ofício de Notas da Cidade do Rio de Janeiro, integrante do acervo do Arquivo. Nacional, levou à elaboração de uma tese de doutorado limitada cronologicamente pela criação desse Ofício e pela entrada em vigor do Código Civil, que dispunha legalmente sobre a matéria. O resultado do trabalho' indicou a existência, desde o Império - quando até 1 882 tais organizações necessitavam de autorização do Estado para funcionarem -, de um forte movimento associativo na cidade.